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Burnout: a exaustão causada pelo trabalho

Burnout: a exaustão causada pelo trabalho

22 de janeiro de 2018

Os sinais não aparecem de uma hora para outra. O corpo e a mente começam a se cansar da rotina exaustiva. As reservas de energia se esgotam. Não há mais motivação, apenas irritação e falta de concentração em qualquer atividade. Chega uma hora que simplesmente não dá mais. Tudo para e o empregado não consegue mais continuar sua rotina. Essas são sintomas típicos da síndrome de burnout, um esgotamento físico e intelectual causado por estresse excessivo no ambiente de trabalho.

Segundo uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (Isma) entre 2013 e 2014, cerca de 30% dos profissionais brasileiros sofrem desse mal. Dos afetados, 96% sentem-se incapacitados para a atividade desenvolvida, o que aumenta o presenteísmo (quando o empregado está fisicamente no posto, mas não consegue render o suficiente) e até mesmo o absenteísmo, com ausências constantes por licenças médicas. Por isso, a síndrome é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e pelas leis nacionais como uma doença ocupacional.

As categorias profissionais mais atingidas são aquelas que lidam com pessoas e estão expostas ao sofrimento humano. Segundo o Medscape Physician Lifestyle Report 2015, os médicos são os mais afetados pelo burnout, seguidos por enfermeiros, psicólogos, professores, policiais, bombeiros, carcereiros, oficiais de Justiça, assistentes sociais, atendentes de telemarketing, bancários, advogados, executivos, arquitetos e jornalistas. E as mulheres são maioria, com 54% dos casos.

Como tudo começou

Apesar de soar como uma enfermidade moderna, alguns especialistas defendem que a síndrome do burnout tem origem durante as revoluções industriais, ainda no século XVIII. Na época, a luta era apenas pela sobrevivência, pois as empresas eram ambientes altamente insalubres. A preocupação com qualidade de vida só começou a ser discutida após a Primeira Guerra Mundial, com os questionamentos sobre o modelo Taylorista.

No livro A loucura do trabalho, o especialista em medicina do trabalho Christopher Dejours defende que as relações de trabalho tiram do empregado a subjetividade, o que gera sofrimento. “A organização do trabalho exerce sobre o homem uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos e uma organização do trabalho que os ignora.”

O termo burnout, porém, foi criado apenas em 1974, quando o psicanalista estadunidense Hebert Fraudenberger usou a expressão para sintetizar os sintomas que observou em si mesmo e em companheiros de trabalho.

Sentimento na modernidade

O Brasil vive um momento de alerta vermelho para o aparecimento da síndrome de burnout. Com taxas de desemprego na casa dos 12%, as empresas aumentam a cobrança por resultados e os trabalhadores sentem a pressão de que outros profissionais tão – ou melhor – capacitados estão disponíveis no mercado para ocupar a vaga.

Em uma entrevista para a Revista Administradores, o médico do trabalho João Silvestre diz não ser exagero relacionar a crise econômica e política com o surgimento do burnout, pois problemas sociais impactam diretamente a saúde e bem-estar das pessoas. E não é necessário que haja uma grande crise para isso, uma simples reformulação no modelo de negócios faz com que alguns trabalhadores sintam o impacto.

Sintomas

A síndrome do burnout possui três características básicas: exaustão, despersonalização e queda de produtividade. Na pesquisa realizada pelo Isma, a mais citada pelos entrevistados é a exaustão, em 97% dos casos. Foram relatados casos de fraqueza, dores musculares e de cabeça, náuseas, distúrbios do sono, queda na imunidade e no desejo sexual, alergias, quedas de cabelo e um sentimento constante de desesperança, com traços de raiva, impaciência e depressão.

A segunda característica está ligada ao lado emocional, com um distanciamento afetivo das pessoas e a tendência a se tornar ranzinza e negativista. Já a terceira diz respeito à satisfação pessoal, pois o trabalhador começa a produzir cada vez menos por achar que aquilo não tem valor.

Como evitar

Possuir um departamento voltado para saúde e segurança do trabalhador é diferencial na luta contra o esgotamento físico e psicológico dos empregados. O tratamento envolve afastamento, descanso e um processo terapêutico para entender o problema. Em alguns casos também é necessário fazer intervenção medicamentosa. Mas nada disso será suficiente se o ambiente de trabalho não mudar. Caso contrário, a pessoa retornará nas mesmas condições que saiu, o que pode piorar seu estado de saúde.

Porém existem alguns pontos que podem ser desenvolvidos para evitar que isso ocorra:

1. Relaxe. Encontre algo para distrair a cabeça e faça com que se torne uma rotina. Sentar em casa para assistir filme, sair com os amigos ou praticar ioga são boas sugestões do que fazer.

2. Durma bem. Não respeitar os limites do próprio corpo pode levar ao esgotamento ainda mais rápido do que já ocorreria. Não se forçar a trabalhar até madrugada adentro e entender as necessidades biológicas são fatores fundamentais para evitar o burnout.

3. Pratique atividade física. Descarregar o stress com atividades físicas é uma maneira de focar o corpo e a mente para longe dos problemas, além de trazer bem-estar para desenvolver melhor o serviço.

4. Cuide da alimentação. Além de criar uma rotina, comer bem e de três em três horas alivia a fome proporcionada pelo estresse e traz benefícios também para o corpo.

5. Converse. Guardar os problemas para si mesmo só vai fazer com que eles fiquem ainda maiores. Para isso, buscar ajuda profissional é fundamental para entender qual é o problema e, principalmente, como encarar o retorno ao trabalho.

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